É fácil adivinhar o lado em que a corda vai arrebentar

O desdobramento do caso levantado no post anterior é um exemplo claríssimo de algo que trato neste blog há tempos. O coitado do operador de telemarketing é sempre o elo mais fraco na conflituosa relação entre cliente e empresa.

Relembrando, o serviço telefônico da polícia de Aracaju, o famoso 190, foi terceirizado. Passou a ser feito por atendentes de telemarketing. E, justamente por isso, pelo despreparo da atendente numa ligação, um homem acabou morto.

Segundo informações do G1, a jovem operadora que atendeu a ligação foi demitida. E aí, ficam no ar algumas perguntas. Perder o emprego foi a única coisa ruim que aconteceu a essa jovem atendente? Demitir a operadora serve de conforto para a família do homem que foi assassinado? O serviço vai melhorar após a demissão de uma “funcionária incompetente”?

Imaginem a cabeça de uma jovem operadora de telemarketing de Aracaju que é demitida daquele que, provavelmente, era seu primeiro emprego por ter cometido uma falha que resultou no assassinato de um homem!

Pois se não é isso que se passa na cabeça dela neste momento, é o que dá a entender um coronel em entrevista à Globo News, ao enfatizar o erro da jovem, quando, na verdade, deveria assumir a falha do sistema como um todo.

“Infelizmente, a grande falha dessa jovem foi não ter encaminhado esse pedido para a sala de despachos da PM. Ao conversar com essa moça, que foi demitida pela empresa, ela alegou que, como ele desligou, ela não conseguiu extrair as informações que acreditava que deveria ter. Ela não repassou a ligação para a Polícia Militar, esperando que ele ligasse de novo”, disse o coronel.

É muito óbvio que ao menos alguma assistência psicológica precisa ser oferecida a essa jovem atendente de telemarketing! A menor culpa, nessa história toda, é dela. Aliás, ela não tem culpa de nada.

Infelizmente, só quem está chorando e lamentando, agora, é uma família que precisa enterrar um ente querido e uma jovem profissional que, além de desempregada, terá que conviver com um fantasma.

Terceirizar o atendimento do 190, colocar atendentes despreparados e não se responsabilizar pelas cagadas que acontecem é como culpar o estagiário pela falência de uma empresa multinacional repleta de problemas de gestão.

Odeio quando estou certo!

Em meados do ano passado, João Roberto Amorim Soares, de apenas 3 anos, foi morto após uma desastrosa ação da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que alegou ter confundido o carro da mãe do menino numa perseguição a traficantes e simplesmente abriu fogo, no melhor estilo “mata, depois pergunta se é bandido”.

Na ocasião, pela coincidência dos nomes, imediatamente me lembrei do João Hélio, outra jovem vítima da violência no Rio de Janeiro, e escrevi o post/crônica “Senhor, estarei te indignando…”, no qual inventei uma espécie de “Call Center da Polícia”, usando um pouco da história dos dois meninos, para criticar tanto a segurança pública quanto os serviços de telemarketing no Brasil.

Na oportunidade, minha mãe leu e disse que eu errei na mão. Ficou um pouco chocada, principalmente por eu ter usado dois casos tão hediondos para fazer um texto carregado de ironia. Pois, na época, eu disse que não me arrependia do que havia escrito, uma vez que apenas havia usado meu espaço para fazer uma crítica e, ao mesmo tempo, prestar meu sincero pesar às famílias das duas crianças.

E não é que hoje, após ver uma matéria no “Bom Dia, Brasil”, minha mãe me liga e diz: “Meu filho, tenho que reconhecer. Você é um visionário. Dou o braço a torcer. O que você escreveu naquele post, realmente, aconteceu”. E me contou a história… Eu ainda não havia assistido à matéria e, ao ver, a ligação com o post, feito  em julho do ano passado, realmente me pareceu imediata.

Acontece que em Aracaju, o serviço telefônico da polícia, o famoso 190, foi terceirizado. Passou a ser feito por atendentes de telemarketing. E, justamente por isso, pelo despreparo da atendente numa ligação, um homem acabou morto.

É muito chato falar isso, mas, em algumas ocasiões, eu odeio quando estou certo.

Senhor, estarei escrevendo… Sempre!

Após quase um ano e meio de blog no ar, este autor que vos fala precisa revelar um segredo: dormir apenas quatro ou cinco horas por noite não garante que, nas 19 ou 20 restantes de um dia, eu consiga fazer tudo o que preciso, quero e gosto. Desde sua criação, o “Senhor, estarei te irritando…” me gerou diversos frutos. Inclusive oportunidades profissionais – não confundir com “oportunidade de ser um blogueiro profissional. E justamente por isso, acabou fazendo com que eu tivesse cada vez menos tempo para ele.

Meu atual emprego está totalmente voltado para as novas mídias. Porém, mais do que trabalhar com internet e mais do que praticar o jornalismo, perseguir oportunidades de escrever por prazer tem sido quase que uma obsessão. E unir isso a outras paixões pessoais, de preferência ganhando uma grana, já é um objetivo alcançado, com a revista do Flamengo, na qual sou redator-chefe.

Acontece que escrever é um vício, assim como ler. E a gente sempre quer mais. Seja a troco de grana ou pelo simples prazer de escrever.

Sou leitor assíduo do site da Revista M…, espaço que considero uma das várias ilhas de inteligência num oceano de “miguxices” e “blogs oportunistas que escrevem sobre os assuntos do momento só para aparecerem no topo da busca do Google”, dentro da internet brasileira. Além disso, conheço há alguns anos o Ulisses Mattos, um dos editores da M…

Alguns meses atrás, tive o prazer de embarcar @Na_Kombi, um perfil coletivo de humor da @revista_M no Twitter, para falar sobre telemarketing. Depois, fui convidado pelo Ulisses a participar de um outro projeto muito legal da revista, o Movimento Twitterário. Custei, mas tive o prazer de escrever um texto, que foi publicado hoje: “Irritando e tuitando”.

No mais, caro leitor, lendo tudo isso aqui em cima, não pense que listei uma série de desculpas para deixar o “Senhor, estarei te irritando…” de lado.  Sei que estou em dívida, inclusive de uma análise prometida no longínquo post anterior. Mas prometo tirar o atraso. Nem que isso me custe uma hora diária a menos de sono.

Coletânea de vídeos sobre telemarketing

Apesar da gigantesca falta de tempo, me recuso a deixar o “Senhor, estarei te irritando…” morrer. Afinal de contas, enquanto houver telemarketing, terei assunto para falar neste blog. E enquanto preparo, com cuidado, um post sobre um paralelo entre telemarketing e mídias sociais, que tracei na cabeça após assistir a uma excelente palestra na sexta-feira passada, feita pela @MissMoura na UFRJ, resolvi fazer uma seleção com alguns dos vídeos mais interessantes e engraçados que encontrei sobre o tema deste blog.

1 – Técnicas para deixar os clientes loucos
Uma esquete do extinto programa Muvuca, da Regina Casé, com participação do Pedro Cardoso e da Bianca Byington. Na humilde opinião deste blogueiro, uma das críticas mais engraçadas entre as  já feitas sobre o telemarketing.

2 – Tom Mabe Telemarketing
Esse já pintou por aqui, num post que fiz em junho passado. O Tom Mabe é um comediante americano conhecido por aplicar trotes em atendentes de telemarketing. Esse aqui, como eu disse na outra oportunidade, tem requintes de crueldade, mas é hilário!

3 – Como responder ao telemarketing – Seinfeld
Mais um vídeo que é recorrente aqui no “Senhor, estarei te irritando…”. E, certamente, um clássico, simplesmente pelo protagonista ser ninguém menos que Jerry Seinfeld:

4 – Os Normais – Vani de Telemarketing
Se todos os operadores de telemarketing fossem como a Vani, no mínimo, seria um pouco mais divertido ligar para os call centers.

5 – Jô Soares fala sobre atendimentos de telemarketing
Uma rápida crônica do Jô Soares em seu programa, falando sobre um “casamento que é pra sempre”:

6 – Revanche do cliente de telemarketing…
Essa talvez seja a mais conhecida de todos. Quem nunca recebeu o arquivo de áudio por e-mail ou mesmo não acessou o vídeo? Certamente uma inspiração para momentos em que não estamos a fim de atender operadores de telemarketing ativo, bem menos cruel que a sugerida pelo Tom Mabe.

7 – Atendente da Oi quebra pau com usuário durante ligação
Acho difícil que essa gravação seja de uma ligação real. Por mais que um atendente trabalhe no limite da pressão, o tipo de atitude que o cara teve é, no mínimo, surrealista. De qualquer forma, o bate-boca é engraçado.

8 – História Secreta do Telemarketing
Curta de 2005 sobre a história do telemarketing, extraído de um conto do livro “Histórias Secretas” de Daniel Funes, um publicitário e escritor que andou lançando uns livros meio loucos por aí. Também já abordado num post passado do “Senhor, estarei te irritando…”.

9 – Zohan – Hezbollah
Também já falei desse vídeo por aqui. É um trecho do hilário filme Zohan, que acaba sendo sintomático, pois mostra que o telemarketing irrita em qualquer lugar do mundo.

10 – Esteve mexendo com op. de telemarketing, esteve mexendo comigo
E por fim, inspirado no vídeo revoltado que um operador de telemarketing fez para defender a Xuxa, após as críticas que a apresentadora recebeu no Twitter, este blogueiro, se achando comediante, fez este vídeo RIDÍCULO, também já postado aqui!

O limite do ser humano é menor que o da máquina

Quando o problema é comigo, ou seja, nas vezes em que preciso ligar para algum call center para reclamar ou cobrar alguma coisa, penso apenas em mim. Isso é algo óbvio! Não ligo nem um pouco se o operador do outro lado recebe um salário de fome, não tem treinamento ou é explorado. Sou consumidor, pago por um serviço ou produto, e quero receber o que CONTRATEI. E uma compra ou assinatura de algum serviço não deixa de ser um contrato.

Mas quando o problema não é comigo, confesso que entendo me solidarizo com as atitudes tomadas por alguns operadores de telemarketing, como essas descritas numa matéria de hoje do Jornal de Brasília. E me solidarizo justamente por aqueles motivos que ignoro quando ligo para algum call center. O salário de fome, a falta de treinamento, a exploração.

Desde a criação do “Senhor, estarei te irritando…”, bato tanto nessa tecla, que ela já está rachada. Não vamos ter um bom serviço de telemarketing enquanto as empresas não tratarem os operadores como gente. Há limites para a quantidade de pressão e até mesmo humilhação – sim, a palavra se aplica, aqui – que um ser humano pode aguentar.

Lá na matéria de hoje do Jornal de Brasília, de acordo com uma psicóloga da USP, “o operador deve ser treinado para atender o último do dia como o primeiro. Se houver estresse, o trabalho tem que oferecer alternativas como mais horas livres. Não pode é virar desculpa para descontar no cliente”.

Pois este autor aqui não poderia concordar mais com a psicóloga. Só que, infelizmente, as empresas não oferecem isso. Investem muito em tecnologia, inclusive para realizarem uma mais pressão e controle sobre os operadores, mas não investem no ser humano.

A Anna mandou bem na Anatel

A coisa mais difícil de acontecer, por aqui, é um operador de telemarketing encrencar com algo que eu escrevo. Além de eu sempre deixar bem claro que meu problema não é pessoal com a classe de trabalhadores, mas com o setor como um todo, creio que tenho tido sucesso em separar as coisas. Tanto que, pelo feedback que tenho em e-mails, pessoas que trabalham com isso se identificam com os posts, principalmente quando abordo temas como as condições de trabalho nos call centers.

Mas um episódio interessante aconteceu nos últimos de uma semana e pouco pra cá. No dia 30 de setembro, na caixa de entrada de meu perfil no Youtube, recebi a seguinte mensagem da larissygirl:

Olá Raphael…. estive vendo alguns de seus videos,e eu sei bem o que é isso… esses contra-tempos que passamos ao telefone tentando resolver nossos problemas e parece que a cada ligação, em vez de resolver.. aparece mais… vi em seu blog que a reclamação contra a Tim que vc fez, referente a portabilidade feita que após esse procedimento feito, vc não recebia ligações..fora resolvida… isso é bom.. mas é ruim ao mesmo tempo.. pois uma coisa simples, que em uma ligação poderia ser resolvida.. infelizmente não é assim que acontece, temos que fazer coleções de protocolos e ter a sorte de ter o problema atendido e quando não resolvido.. ter que procurar uma instancia maior.. Anatel…quando , venhamos e convenhamos.. nem deveria chegar a esse ponto…

mããããssss. não devemos eskecer que estamos no Brasil… problema esse que nenhuma instancia aki na terra pode resolver… : / aff

enfim… só queria compartilhar com vc algo que vc fez com todos os acessantes desse site…

e uma obs: conheço a pessoa que te atendeu na Anatel… e fico feliz de ter sido bem atendido…

abraço fik na Paz

Fiz questão de grifar essa parte em negrito, acima, porque poucos dias depois, mais precisamente no dia 4 de outubro, em meu e-mail pessoal, recebo uma mensagem com o “Telemarketing” no assunto, de uma pessoa chamada Anna (o sobrenome eu vou omitir), que reproduzo aqui:

Olá Sr Raphael,

Você pode não se lembrar de mim, mas nossos destinos se cruzam novamente. Gostaria de fazer uma pesquisa de satisfação quanto ao meu atendimento prestado ao senhor referente a um problema na prestadora TIM, no qual o senhor me ultrajou antes de ser atendido e gravou o atendimento, postando posteriormente a gravação no site youtube.

Embora você tenha tido experiências ruins quanto a atendimentos prestados, existem profissionais sérios que se comprometem com o que fazem.

Seremos futuros colegas de profissão, uma vez que também estudo jornalismo e arrumei aquele emprego somente de forma momentânea, pois atendia as minhas necessidades no momento.

Sei que não fará diferença alguma o que estou lhe escrevendo, porém tive a necessidade de entrar em contato com o Sr para informar que me senti ultrajada e lesada moralmente, pois o Sr subestimou a minha conduta e atendimento antes mesmo de ser prestado e que  inclusive posso processá-lo por isso.

Existem profissionais e profissionais, éticas e éticas, e a minha Sr Raphael, embora no momento estejamos prestando trabalhos diferentes, é muito diferente da do Sr.
Compreendo que a Internet é um meio público onde pode se divulgar o que desejar, desde que não fira a moral de quem está sendo exposto sem a devida autorização.

Desde já agradeço a atenção.

Anna
Atendente de Telemarketing em questão.

Bom, o vídeo em questão é esse aqui:

Assim que recebi o e-mail, fiz questão de responder. A reprodução do meu e-mail segue abaixo:

Prezada Anna,

Creio que você está cometendo um grave erro de interpretação em relação ao que fiz nesse video.

Em momento nenhum eu te ultrajei, como você disse. Mas se você acabou se sentindo ofendida, te peço sinceras desculpas.

Antes de gravar o atendimento, O QUE É UM DIREITO MEU, eu comentei o problema que eu vinha tendo.

O seu atendimento foi perfeito e não tenho nada a reclamar. Muito pelo contrário. Não sei se por causa da atuação da Anatel ou pela carta que mandei para o Jornal O Globo, a TIM resolveu meu problema dentro do prazo que você me deu ao final da ligação.

Na verdade, o que eu gostaria, mesmo, é que eu não tivesse a necessidade de ligar para você, pois se a TIM fosse competente o suficiente para resolver meu problema sem eu precisar recorrer à Anatel, essa gravação nunca teria acontecido.

Não subestimei sua conduta antes mesmo de ligar. Veja o video de novo. Apenas relatei os problemas que eu vinha tendo com a TIM. Não seria leviano a ponto de reclamar de um serviço que eu nem experimentei.

Entenda uma coisa, Anna, antigamente, a relação de poder entre empresas e consumidores era muito desigual. O consumidor reclamava, dificilmente era ouvido e outras que, de repente, tinham aquele mesmo problema sequer sabiam que não estavam sozinhas nessas reclamações. Hoje em dia, não tem mais essa. O consumidor tem direito de se expressar e a internet veio facilitar isso tudo. A transparência é fundamental.

Já que você vai ser jornalista, faz um exercício, entra no meu blog (o endereço está aqui abaixo, na minha assinatura). Procura ler o que eu escrevo desde o início, através dos posts antigos. Trato esse assunto de telemarketing com muita seriedade, apesar de o nome do blog, “Senhor, estarei te irritando…”, ser carregado de ironia. Em diversos posts, acima de tudo, do respeito que tenho pelo profissional de telemarketing, aos quais considero o lado mais fraco nessa briga de poder entre empresas e consumidores.

Em meu blog, apesar de muitas vezes eu usar o humor, algo que faço para não deixar o tema chato, procuro gerar discussão sobre o telemarketing, analisando notícias do setor, propondo soluções e dando espaço para eu e outros consumidores desabafarem sobre maus serviços prestados, o que, definitivamente, não foi o que aconteceu no seu atendimento comigo. Esteja certa disso.

Aliás, esse video do Youtube faz parte desse post do meu blog:

http://estareiteirritando.wordpress.com/2009/08/05/videocast-irritado

Nele, você verá que o meu problema foi com a TIM e não com seu atendimento.

Se você quiser, até como uma forma de retratação, eu publico o seu e-mail e essa minha resposta no meu blog, apesar de, na época em que fiz o post e coloquei o video no Youtube, ter ficado bem claro que o seu atendimento foi perfeito.

Abraços

Raphael Crespo

http://www.estareiteirritando.wordpress.com

E depois de alguns dias curioso para saber o que a Anna me responderia, eis que chegou, hoje, um novo e-mail dela:

Olá mais uma vez…

Desculpe a demora da resposta, ando meio na correria…

Peço desculpas pelo meu erro de interpretação e sei como é difícil “lhe” dar com centrais de atendimento, sofro deste mal todos os dias e registro milhares de reclamações referente a isto também.

Quanto a postar a minha mensagem ao senhor no seu blog, fica a seu critério, me desculpe se fui um pouco agressiva, é que por e-mail as palavras ficam um pouco mais ríspidas mesmo.

Não é preciso se retratar.

Um abraço e boa sorte com seu trabalho.

Att.
Anna
Antiga operadora de telemarketing

Bom, agora abertamente, por aqui, Anna, creio que tenha ficado bem claro que o seu atendimento foi perfeito. Além disso, tenho plena consciência de que nenhum vídeo que eu fiz ridicularizou os operadores de telemarketing, que eu reconheço como uma classe bastante sofrida, assim como nós consumidores!

Rio já perdeu o pódio na Olimpíada do Bloqueio

Não sei se está todo mundo ligado, mas entrou na pauta do dia na terça-feira passada, na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mais uma discussão sobre o projeto de Lei Nº 1670/2008, de autoria do deputado Edson Albertassi, que prevê a criação de um cadastro para bloqueio do recebimento de ligações de telemarketing por essas bandas de cá.

Bom, já abordei diversas vezes o tema por aqui, tanto para falar dos estados que já sancionaram leis similares quanto no post sobre a própria apresentação desse projeto de lei na Alerj, uns meses atrás. Em lugares como Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e no pioneiro São Paulo, a galera já tem a possibilidade de escolher se quer ou não receber as inoportunas ligações. Acho que está na hora de isso rolar aqui no Rio, não?

Aliás, caso não tenham acessado, ainda, o primeiro link apresentado neste post, peço que cliquem agora: é a íntegra da discussão de terça-feira passada sobre o Projeto de Lei Nº 1670/2008.

Reparem que o Excelentíssimo Senhor Deputado Paulo Ramos pede a palavra e alega que o “Rio de Janeiro tem experimentado um crescimento muito grande das empresas de telemarketing, até superando São Paulo. Tem sido, assim, uma fonte geradora de muitos empregos. Portanto, criar embaraços ao desenvolvimento do serviço de telemarketing constitui-se um equívoco, já que absorve um número muito grande de jovens – é quase um serviço temporário e, a propósito, precisamos cuidar de questões ligadas à saúde do trabalhador de telemarketing”.

Ele diz, também, que “a criação desse cadastro para bloqueio seguramente desestimulará a geração de novos empregos. Em São Paulo, onde foi criado, mesmo existindo uma competição com o Rio de Janeiro, o número de empregos caiu ASSUSTADORAMENTE. Esta é uma vocação do Estado do Rio de Janeiro no país inteiro”.

Fiz questão de grifar algumas coisas e, inclusive, destacar o termo “assustadoramente”, porque o discurso do senhor deputado não condiz com o que andam divulgando as autoridades paulistas do setor, como comentei, neste post, sobre a expectativa de “crescimento de 6% sobre o faturamento de R$ 4 bilhões registrados no ano passado pelo setor em São Paulo”, segundo nota divulgada pelo Sindicato das Empresas Paulistas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos (Sintelmark), apesar do bloqueio de ligações no estado.

Tudo bem que o discurso de um sindicato patronal, como o Sintelmark, será sempre mais otimista. Como comentei naquele mesmo post, a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) já faz um pouco mais de alarde sobre diminuição do número de vagas.

Mas o crescimento do setor é evidente! Basta jogar o termo “telemarketing” na busca do Google e clicar em “Notícias”. Garanto que, seja qual for o dia, boa parte das notícias que irão aparecer irão falar sobre a abertura de dezenas, centenas e, algumas vezes, milhares de vagas para atendente de call center.

Portanto, caro deputado, ao ler seu discurso, consigo tirar duas interpretações distintas: ou o excelentíssimo senhor falou de algo que não conhece tão bem, ou defende algum interesse que, talvez, não seja o da maioria da sociedade fluminese. Se houver uma terceira interpretação, por favor, esclareça!

Semelhanças entre o Resenhaem6 e a Luciana Fróes

E não é que os caras do blog Resenhaem6 ficaram preocupados e tiraram do ar o post sobre o Boteco São Bento? Bom, a polêmica foi resumida por aqui, em meu post passado, mas pode ser melhor entendida, por exemplo, na repercussão que tomou em grandes veículos, como os sites da Época São Paulo e da Folha de São Paulo.

O post anterior foi um simples ato de solidariedade com um blog que, também por sua própria culpa, está passando por uma situação complicada, uma tentativa de censura. Também me sinto na obrigação, agora, não só como membro ativo da blogosfera, mas dessa revolução social que vivemos na internet, de falar um pouco sobre responsabilidade, bom senso e, principalmente, sobre a atuação de empresas na web.

Desde o primeiro post do “Senhor, estarei te irritando…” – blog criado de forma impulsiva, muito mais para não deixar morrer um nome que, modéstia completamente à parte, acho genial – sempre tive algumas pequenas preocupações com a forma como escrevo por aqui, que, ao longo do tempo, foram se dissipando.

Essencialmente, este é um blog que fala mal das empresas, através de relatos sobre serviços ruins prestados em seus call centers. No início, eu procurava não citar as marcas, talvez mais para dar um toque de humor aos textos do que por algum medo de levar um processo.

Então, com o tempo, fui percebendo que eu deveria, sim, citar os nomes das empresas. Pois o que faço por aqui não é calúnia. Não é difamação. Tudo o que escrevo aqui é RELATO, que, no fim das contas, acaba ganhando uma carga opinativa deste autor que vos fala, o que é algo inerente a qualquer blog.

No caso do Resenhaem6, não há dúvidas de que o cara errou na mão. Falou do Acre de uma forma preconceituosa e usou termos bem chulos para descrever o serviço do tal Boteco São Bento. Mas erraram mais na mão, ainda, os representantes do bar, que entraram no espaço de comentários do blog e ameaçaram o blogueiro.

Isso me fez lembrar um episódio muito interessante, que aconteceu recentemente no Rio. Para quem não é daqui, ou não tem o costume de ler o jornal O Globo, vale uma rápida contextualização. A crítica gastronômica Luciana Fróes é, ao mesmo tempo, o terror e o objeto de desejo de qualquer restaurante carioca. Em sua coluna semanal no caderno Rio Show, a jornalista escolhe sempre um restaurante para dar seu veredicto, que junto com um texto delicioso, vem acompanhado dos temíveis garfinhos – classificação que vai do 1 (ruim) ao 5 (Excelente).

Acontece que, normalmente, Luciana vai aos restaurantes sem avisar, para testar mesmo serviço e comida. E, por isso, para passar em seu exigente crivo, ambos devem ser impecáveis – talvez, assim, rolem 3 ou 4 garfinhos, pois cinco garfinhos é uma classificação, definitivamente, não banalizada pela jornalista.

Enfim, em julho passado, a jornalista publicou, em sua coluna, uma crítica duríssima sobre a Brasserie Brasil, que, se não estou enganado, foi classificado com apenas 1 garfinho. Pois o dono do estabelecimento entrou em contato com ela, apresentou suas explicações, e ganhou, de volta, um post bem bacana no blog da Luciana Fróes.

E por que estou fazendo esse paralelo?

Cada vez mais, os blogs e as redes sociais devem ser encarados com seriedade pelas empresas. É preciso que as marcas fiquem atentas a tudo o que falam sobre elas na web, mas é mais importante ainda que elas tenham a sensibilidade de perceber que esse novo meio é absolutamente democrático. Na internet, elas vão conversar de igual para igual com seus consumidores. Não tem essa de ameaça ou propaganda enganosa. Atitudes como as das pessoas ligadas ao Boteco São Bento serão cada vez mais execradas.

E o mais interessante disso tudo é que, apesar de a coluna da Luciana Fróes ser num meio offline, seu post com a explicação do dono do restaurante criticado é o primeiro resultado do Google quando o nome “Brasserie Brasil” é buscado. Agora, vão ver o que aparece, não exatamente na primeira posição, mas ainda na primeira página do Google, quando a busca é “Boteco São Bento”.

Precisa dizer mais alguma coisa?

Boteco São Bento (o pior bar do sistema solar)

O “Senhor, estarei te irritando…”, como todos sabem, é um blog temático. Mas, por estar inserido na blogosfera, não pode ficar alheio à tentativa de censura que está acontecendo ao blog Resenha6, que escreveu uma resenha sobre o péssimo atendimento que recebeu num tal “Boteco São Bento”, em São Paulo

Atacado pelo dono do bar no espaço de comentários, o xará Raphael Quatrocci recebeu, hoje, uma notificação extra-judicial para retirar o post do ar! Ou seja, se ele não apagar o que escreveu, será processado! E isso se chama CENSURA!

Seguindo o exemplo do @Cardoso, no blog Contraditorium (ler aqui), replico aqui, em meu espaço, o post exatamente da mesma forma que o blog Resenha6 publicou. E aguardo, também, a notificação extra-judicial.

Apesar de telemarketing ser o tema do “Senhor, estarei te irritando…”, maus serviços prestados permeiam basicamente todos os meus posts. Portanto, me solidarizo com o blog que está sendo ameaçado de censura.

O post do blog Resenha6:

Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento. 

  • Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior. 
  • Para dicas de botecos que valem a pena, leia outras resenhas aqui
  • Siga o Resenha pelo Twitter antes que eu bote outro link na mesa.

Resenhado por
Raphael Quatrocci

Receita de bolo

Que blogueiro mais de meia-tigela que eu sou! Exatamente 10 dias se passaram desde a última atualização. Mas o afastamento foi necessário, pois passei por um período bem intenso e com muitas novidades profissionais bem bacanas.

Mas, como este espaço não é um “querido diário”, voltemos à programação, digo, à irritação normal.

Em minhas pesquisas sobre telemarketing pela internet, me deparei com uma matéria, num portal de notícias, que fala de condições de trabalho de funcionários de call centers, uma tecla que costumo bater repetidamente por aqui, pois acredito que é neste tema que reside uma das principais explicações para o mau atendimento.

Leiam com atenção alguns trechos dessa matéria que encontrei e depois continuem, ao final dos tópicos, para a conclusão:

  • O funcionário de uma central de atendimento telefônico só permanece no emprego por um período de um ano e meio, até ser demitido, pedir ele próprio demissão ou abandonar o emprego.
  • 5.700 call centers empregam em torno de 440 mil pessoas, em sua maioria mal remuneradas e expostas a altas doses de estresse no dia-a-dia.
  • “Muita gente pede licença médica por não aguentar isso. E passam muito tempo empurrando a situação desta forma, até serem demitidos em determinado momento”
  • Uma demissão pode vir mais rápido do que se pensa, já que, para essas empresas, os funcionários estão ali “para funcionar” e não para ter direitos.
  • “quando a palavra sindicato é ouvida, o funcionário está fora mais depressa do que pode imaginar”.
  • As condições de trabalho em muitos call centers são miseráveis. Em escritórios enormes, chegam a trabalhar 800 pessoas. Esses “agentes” – como os funcionários são chamados – passam pelo menos oito horas por dia ao telefone.
  • Além disso, ficam expostos ao controle permanente de seus gerentes, aptos a ouvir as conversas telefônicas dos funcionários. Comum nesse setor é também a ausência de pagamento de adicional de fim de semana, por exemplo.
  • “Os call centers ganham muito mais dinheiro do que aquilo que acaba nas mãos dos funcionários. No meu ponto de vista, isso é uma exploração”
  • Um salário mínimo para a categoria, no entanto, certamente acarretaria a falência de vários call centers. Ou seja, haveria problemas em relação ao financiamento de muitos dos call centers hoje existentes.
  • “Gostaria que os funcionários de call centers fossem tratados como gente”.

Pois é, caro leitor. Surpreso com o que leu? Bom, se você acompanha este blog desde sempre, provavelmente não. Mas ficará ao ler a notícia completa, clicando aqui.

Viu? Pois é… É assim que se faz call center. A receita é sempre a mesma. Infelizmente.